domingo, 8 de novembro de 2009

O fim.

Não consigo deixar de pensar nela, e em como as coisas fugiram do controle. Minhas malditas costas doem por ficar tanto tempo deitado nesse maldito trem de carga. O barulho de vento faz com que eu me sinta em um livro de Lovecraft. Eu fico esperando a escuridão me engolir, para que eu suma anônimo na noite cheia de brumas. Mas ao invés disso tudo o que eu vejo pelas portas do vagão são as luzes acesas das casas nas cidades em que passamos. Como vaga-lumes iluminando a noite escura.

A bebida antigamente me fazia esquecer de todas as coisas. Todas as coisas que eu fiz, pensei em fazer ou deixei de fazer. Mas o daí seguinte sempre era pior. Aquele gosto amargo na boca, aquele mal estar no estomago, e a vergonha.

Agora eu larguei toda aquela porcaria de mão. Aulas, compromissos, amigos, família. O que tudo isso significa? Ilusões? Tudo parece um grande Almoço Nu às vezes. As coisas não fazem sentido, aceleram, ou andam mais devagar.

Acho as vezes que eu não deveria nunca mais descer deste trem de carga, a não ser para comprar comida e cumprir com algumas necessidades fisiológicas ocasionais. Viajar para sempre. Fazer dos trilhos a minha casa. Pois afinal, fora daqui o que resta? Pessoas? Ah, pessoas. Eu já tive o bastante delas. Filas de banco, almoços de família aos domingos e a hipocrisia. Maldita hipocrisia. Porque as pessoas não podem falar somente às coisas que realmente sentem umas pelas outras. Assim nós teríamos ao nosso lado apenas as pessoas que realmente gostam de nós, e não um bando de cretinos que ficam babando ovo e dizendo os famosos "oi, tudo bem, como vai você?" 'oi, eu vou bem, como vai à família?", "claro que sim, nos falamos em breve, te ligo"/

O certo mesmo seria explodir tudo. Pegar aquelas malditas bombas russas e americanas e fazer uma grande festival de fogos. Daí sim tudo estaria certo. Poderíamos começar tudo de novo, e tentar dessa vez fazer da maneira certa. Claro que poderia demorar milhões de anos até que voltássemos a andar eretos. Mas também, o que é o tempo? O futuro vai ser o agora. Assim como o passado foi o agora ontem.

Penso que poderia formar uma espécie de sociedade utópica sabe? Pegar os amigos e amigas mais próximos e legais, sem os puxa-sacos, e nem o proto intelectuais fajutos, e partir para algum lugar no meio do mato e construir algumas cabanas. Viver da terra ou algo que o valha.

Mas talvez mesmo, esse vagão seja o lugar certo para o meu agora, e o agora do futuro eu deva deixar para que os ventos decidam. Afinal, as coisas que mais puras, são aquelas feitas sem ambição. E minha mente cansada não consegue pensar em mais nada além de o quão gelada e dura está minha maldita bunda.


domingo, 25 de outubro de 2009

Holly Sh@$.

Gnosis, ou gnose é conhecimento. Literalmente. Mas conhecimento de certa forma é apensa a substituição de erros bizarros, por erros menos execráveis. A um século todo mundo sabia que a terra era quadrada. Hoje todo mundo sabe que a Terra não é quadrada, como também não é o centro do universo. Mas o fato é que a Terra era quadrada a alguns séculos. De certa forma não podem existir verdades imutáveis em um mundo completamente mutável. Hoje sabemos que existem 3 dimensões conhecidas. Altura, largura, profundidade. Mas esse conhecimento já existe a centenas de anos. Já se diz que a quarta dimensão é o tempo. A muitos anos se acreditava que a Terra, e o universo teriam sido feitos em 7 dias, e que todos os seres teriam sido criados magicamente do nada. Hoje é aceito que todos os seres descendem de um pool de genes primordiais, e que o homem, através de diversificações aleatórias e seleção natural tem um parentesco símio. Mas quem pode afirmar que esse conhecimento não é apenas nossa realidade atual?

A metafísica afirma que todos somos um. Apenas aspectos diferentes de uma só vida. Sombras na caverna de Platão. Há quem possa afirmar empiricamente que tal afirmação é falsa. E se for falsa, será falsa por toda eternidade ou apenas por algum período de tempo? Talvez algumas verdades, sejam apenas interpretações finitas de algo infinitamente maior.

Se a natureza é formada apenas das coisas que conhecemos, verdades momentâneas e finitas. Sendo a realidade em si algo muito superior e infinito não existe realmente algo que não possa existir.

"Nada é verdadeiro, tudo é permitido"

Quais verdades fundamentais vão ser destruídas pelo futuro,depois dos comerciais?

De forma alguma eu estou tomando esta reflexão como uma cisma contra minhas crenças e visões atuais da minha própria realidade. Mas sim é tentativa, mais uma vez de reflexão de que o que nesse momento é impossível e impensável pode não ser dentro de alguns séculos, ou anos, ou meses...

(...)Para um garoto que nasceu no subúrbio, escuta funk e faz parte de uma gangue, a realidade é diferente da de um homem que viveu sempre num abastado berço? Então, a realidade é diferente para cada uma das pessoas em cada canto do planeta?
Talvez apenas a percepção de realidade desse individuo seja diferente. Assim como a minha é diferente da sua. Então algumas das verdades do mundo não são realmente externas, mas sim internas. Afinal a Terra nunca foi quadrada, apenas as percepção da realidade da época levava as pessoas a assumirem essa hipótese como uma verdade fundamental.
Nossos olhos, enquanto receptores de informação, alteram a realidade enquanto ela é transmitida.


sábado, 24 de outubro de 2009

Merde.

Quando eu penso sobre o passado, algumas vezes eu sinto uma espécie de dor no esomago. Não é um nó no estomago, nem aquele frio no estomago que as princesas e donzelas sentem quando vêem seu príncipe encantado, ou algo que o valha. É realmente uam dor de estomago, como um mal estar. Principalmente quando eu penso sobre pessoas do passado. Eu já ouvi falar de algumas teorias metafísicas que dizem que o tempo, na verdade futuro, presente e passado ocorrem simultaneamente e infinitamente. O Big Bang e o Big Crunch. Tudo ao mesmo tempo. Começo e fim. E isso me levar indubitavelmente a pensar e a ter pena de mim mesmo por estar na presença de algumas pessoas infinitamente.

Algumas pessoas deveriam ficar presas nesse passado infinito. Mas e não é que as malditas voltam a dar as caras quando a gente menos espera?

Sei la, eu acho que todo mundo tem isso de certa forma. A não vontade suprema de não ver a maldita pessoa, ou pessoas. É meio que um acordo silencioso após o fim de um namoro que aquelas pessoas não vão ficar se falando e tudo mais. Elas vão voltar para suas vidas miseráveis e vão procurar alguma coisa pra fazer. Obviamente existem as pessoas que optam por ignorar esse tipo de acordo. Mais ou menos como os Estados Unidos fazem com qualquer coisa que envolva o maldito rabo deles, e petróleo.


Hey.



Hey you,

Out there in the cold,

Getting lonely, getting old,

Can you feel me?

Hey you – Pink Floyd

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Bang You’re Dead.


Tudo no inicio parecia um grande borrão, nada do que eu dizia importava para mim anymore.Não consigo me lembrar das vozes que ali estavam reunidas. Um junky? Parece que todo mundo esta me chamando para um grande festival. tempo espaço pareciam como nada . eu me senti num vídeo dos Rolling Stones, . fotos que passam a 32 frames por segundo. Eu ouvia vozes. Agora eu entendo porque Pink & Floyd se é bom de ouvir stoned. Talvez um CUT up. Talvez Just one burroughs. Paranóia é um complexo cognitivo de ser fundamental em uma viagem psíquica. trilling. Talvez mais e cada vez mais alto, palavras não importam, a menos não o numero delas. Vozes.me sinto hipnotizado pela som que vem de todos s lados, . tempo espaço. Nada me dizem. Rtime, trimegisto, trimegisto.tantas letras e tão poucas coisas indecifráveis e frágeis .ao menos meu teclado não é um inseto a La kafka e burroughs. Onde vivia Alan morre m. estou no lugar de depois não. Espaço e tempo nulo. Me sinto outra pessoa no corpo de minha pessoas. Apenas um espectador inocente de meu próprio corpo.

sábado, 10 de outubro de 2009

Jibrish

Mentir esta no centro de todas as coisas do mundo. Merda. Deve estar com certeza no centro das minhas relações no momento. Eu nunca tinha parado pra pensar sobre isso, mas agora me dando o devido tempo parece bem patético isso pra falar a verdade. Não é bem o American way of life, como aquelas senhoras de vestidos xadrez em frente ao fogão tirando um grande pato assado e sorrindo para o marido e o filho que estão na mesa.

Vendo a maneira como as coisas se deterioram, provavelmente hoje em dia essa imagem seria posta de outra maneira. Com a mãe sendo uma maldita sádica alcoólatra e o marido um grande e safado filho da mãe traidor, e o pequeno Billy um protótipo sociopata que gosta de maltratar pequenos animais.

Concordo que hoje em dia não existam mais aquela "moral e bons costumes" que existiam antigamente. Se é que bombardear casas e queimar pessoas que catam plantas pode vir a ser chamados de moral e bons costumes. Hoje todo mundo ou é tarado ou é uma grandessíssimo canalha. Se realmente acham que a juventude é o futuro do planeta então todo mundo esta fodido. Por que melhor que isso não vai ficar. A partir de agora o caminho é de uma grande e vertiginosa descida.

Mas então, esses dias eu estava andando por ai, ouvindo Pink Floyd (Certa vez um amigo riu muito de mim por ter escrito Pink e Floyd, como uma banda sertaneja ou algo que o valha), e pensando em todas as coisas que passam. E estava me lembrando da primeira vez que pus meus dedos em uma maquina de escrever para realmente escrever algo. E esse algo foi sobre uma caminhada para a locadora de vídeo do meu bairro. Uma locadora, um filme e uma garota. Não vou mais a locadora, ainda gosto do filme e igualmente da garota. Mas isso não é o importante, e sim o fato de que como um viciado eu sempre acabo voltando às palavras. Dizem que as palavras são magia, e por isso tem a capacidade de alterarem a realidade em volta das pessoas. Não literalmente. Palavras não transformam uma maldita e fedorenta lixeira em um canteiro de flores. Mas elas alteram a percepção das pessoas para com o mundo a sua volta. Por isso que às vezes a ignorância é uma benção, como dizem nos filmes. Porque conhecimento é como o crack. Depois da primeira vez há mais escapatória. Todo mundo deveria ter um blog, diário ou algum maldito equivalente a isso para conseguirem expressar suas idéias. Talvez se mais pessoas fizessem isso eu não teria que aturar um bando de imbecis em cada lugar que eu vou. Mas talvez também seja exatamente o contrario e o imbecil sou eu.


Fuck you very much.

I've met someone

and she's is kind, and sweet, and smart and funny

All wrapped up in a great smile

But she is also crazy, sarcastic, sellfish and fucking unpredictable

But I love the shit out of her

And she is you


Let's get a room



Over the Rainbow


O que eu estava dizendo?

Sonhos de segunda mão comprados de um colombiano com cara de cafetão

Talvez se as ruas não estivessem tão apinhadas de malditos imigrantes eu pudesse pensar

Mas as sombras na caverna não me deixam ver nada alem de meras ilusões

Queria eu ter lembrado de tudo aquilo que eu não sabia

Pelo menos não estaria aqui parado na chuva me perguntando sobre o que acontece depois

Mas a vida é assim com todos que indagam por que ela é tão indigna

E porque apenas Hermes é Trimegistus?

domingo, 4 de outubro de 2009

Sete Leis


É verdadeiro, completo, claro e certo.
O que está em cima é como o que está embaixo,
e o que está embaixo é como o que está em cima,
e por estas coisas fazem-se os milagres de uma coisa só.
E como todas as coisas são e provém de UM,
pela mediação do UM,
todas as coisas são nascidas dessa única coisa por adaptação.
O Sol é seu Pai, a Lua é sua Mãe, o Vento a trouxe em seu ventre e a Terra é sua nutriz e receptáculo.


Hermes Trimegistus

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Tráfico de Maçãs.

Eu esta lá, sentado com meu maldito rabo, e um maldito banco quase congelado. Os fones na minha cabeça deveriam fazer com que eu não pensasse em mais nada. Mas obviamente que isso não funcionou. É como quando você esta no ônibus pensando na sua maldita vida e coisa que o valha e duas velhas gralhas se sentam na sua frente e começam a conversar sobre suas vidas e coisa e tal. Você tenta voltar a pensar nas coisas que te ocupavam antes e tal, mas se você chegou a começar a prestar atenção no que as duas falavam você esta perdido. Você não vai mais conseguir se concentrar em nada a não ser no que elas estão falando. E assim como as duas velhas, aquela pergunta martelava na minha cabaça entre os toques da bateria e os riffs de guitarra. E todo mundo sabe que pensar em pequenas dessa maneira é sempre muito perigoso. Elas realmente tiram a paz de um homem. Eu as vezes imaginava como seria o gênese e tal. Aquele da bíblia mesmo. E daí sempre tinha o Adão que era um cara tranqüilo, que ficava de baixo de uma arvore lá, só aproveitando a natureza e tudo mais. De repente ele até tinha um cachorro. Daí vinha Eva toda pelada, com aquele corpão e sorriso matador oferenco uma maçã pro cara, dizendo que era uma coisa maneira e tal, que ele devia experimentar. E quando ele dava a primeira mordida vinham fogo e fúria. Agora pensando sobre essa perspectiva Eva ficou parecendo uma traficante.

Mas enfim, lá estava eu sentado naquele maldito bando quando meu ônibus finalmente chegou. Eu me sentei, e duas senhoras sentaram-se a minha frente.

Então eu tirei os fones.


Hell no.

if i had said i love you...
would you stay by?





terça-feira, 1 de setembro de 2009

Bochincho.


" E um dia quando souberes
Que este gaúcho morreu
Nalgum livro serás eu
E nesse nosso viver
Eu somente quero ser
A mais apagada imagem
Desse Rio Grande selvagem
Que até morto hei de querer"

Jayme Caetano Braun

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Train.


Será mesmo que aquela coisa de um tunel e de uma luz vinda do fim dele é verdade mesmo ou é somente um monte de besteira inventada por um bando de imbecis que não tinham nada para fazer? Sabe, se foi uma invenção, de repente pode ter sido até mesmo algo bem ingênuo que depois virou no que é hoje com aquele bando de gordos velhos e repugnantes que não morrem no primeiro ataque cardíaco dizendo que viram a luz no fim do túnel, e que dava até para ouvir o som dos pássaros e tudo mais. No duro, eu acho que na verdade todo mundo fica numa grande escuridão e não se lembra de porcaria nenhuma, só que como tem que dizer alguma coisa para os familiares e tudo mais acaba falando um treco desses. Agora imagina que esse bando de pederastas todos iria passar da luz e darem de cara com um belo jardim florido onde o céu é sempre azul e as pessoas nunca são cretinas? Claro que não, no mínimo do outro lado da luz deve ter uma sala apertada e com cheiro de suor onde todos os outros gordos cretinos vão passar o resto da eternidade vendo Faustão e Zorra Total sem intervalos comerciais.

Aliás essa coisa toda de imaginar o "céu" como um grande jardim florido é algo bem ultrapassado. Talvez na idade das trevas onde as pessoas viviam seus dias com a cara no barro e sem chinelo Havaianas tudo bem. Devia ser o paraíso mesmo. Mas hoje em dia eu acho que o paraíso seria mesmo pode ficar um dia inteiro sem dar de cara com algum imbecil ou algo que o valha.